<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN"  "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd"><article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"         xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML"         article-type="research-article"         dtd-version="1.1"         xml:lang="en"         specific-use="sps-1.9">  <front>    <journal-meta>  <journal-id journal-id-type="publisher-id">cap</journal-id>  <journal-title-group>    <journal-title>CAP</journal-title>    <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">CAP</abbrev-journal-title>  </journal-title-group>  <issn pub-type="ppub">2184-8157</issn>  <publisher>    <publisher-name>CAP</publisher-name>  </publisher></journal-meta>    <article-meta><article-id pub-id-type="doi">10.48619/cap.v6i1.1054</article-id><article-categories>  <subj-group subj-group-type="heading">    <subject>Research Article</subject>  </subj-group></article-categories><title-group><article-title>  Navegantes</article-title></title-group><contrib-group><contrib contrib-type="author"><name><surname>Martins</surname><given-names>Marcos</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff-a"/></contrib></contrib-group><aff id="aff-a">  <institution content-type="original">Universidade Federal do Espirito Santo (UFES)</institution>  <country country="BR">Brasil</country></aff><pub-date pub-type="pub" date-type="pub" publication-format="electronic" iso-8601-date="20241230"><day>30</day><month>12</month><year>2024</year></pub-date><volume>6</volume><issue>1</issue><fpage>8</fpage><lpage>7</lpage><permissions>  <copyright-statement>Creative Commons CC BY-NC 4.0</copyright-statement>  <license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="en">    <license-p>Creative Commons CC BY-NC 4.0</license-p>  </license></permissions><abstract><p> Artista visual, arquiteto e bioconstrutor poético. Professor colaborador PPGARTES-UFC e de Escultura e Performance na Universidade Federal do Espirito Santo (UFES), Doutor em Poéticas Visuais ECA/USP e Pós-doutor em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/USP.  Pesquisa os abrigamentos sensíveis nas práticas decoloniais da arquitetura e do corpo em espaços urbanos e na natureza, bem como as transformações nos territórios e paisagens construídas (ou desfeitas) pelo humano.  Atua entre a espacialidade, o desejo e o corpo em seus estreitamentos com a Arte Contemporânea investigando o racismo ambiental e as transformações nos territórios. Coordena o grupo Labterra de tecnologias e saberes ancestrais. Vice-lider do grupo Imagem e Natureza – IMAGNATUR (CNPq/USP) e membro do grupo GEMAP (CNPq/USP). </p></abstract>    </article-meta>  </front><body><p>Três barcos impossibilitados de navegar no mar, materializados com recursos falíveis às águas. Barcos em pau-a-pique. Memória de casas, de abrigos e residências de tantas pessoas, de famílias inteiras de pessoas trabalhadoras. Abrigos, ambas as estruturas. </p><p></p><p>Corpos fundamentais na construção da humanidade, que definem comportamentos e decisões. Um corpo híbrido inventado, híbrido casa-barco - proposição escultórica efêmera que habita, certamente, em que a viu. Ecos de pescadores. </p><p></p><p>Palafitas instaladas, embarcações suspensas em estruturas altas e imponentes, ainda que próximas e reconhecíveis. Uma aposta em fazer mergulhar no imaginário e no estranhamento proposto pela intervenção de grande escala presente, agora, em registros de espanto. Na transição entre a fuga e o guardar na memória. Habitar na navegação do impossível. </p><p></p><p>curadoria: Gustavo Wanderley  e  Sara Síntique</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>A obra Navegantes, comissionada pela Casa da Ribeira para o V Arte-Praia: poéticas efêmeras (https://www.artepraia.com/), desenvolvida como intervenção de caráter temporário para o território de Sabiaguaba e Abreulândia, em Fortaleza - Ceará, compôs-se de 3 (três) barcos, cada um medindo 340x100x34cm, constelado por placas de pinus e armado com varas de maçaranduba, sendo revestido internamente com compensado 4mm e externamente com malha de aço zincado com amarrações em madeira de marmelo e mororó (típicos das casas de pau-a-pique na região cearense) e revestimento por cobertura de barro argiloso, esterco e fibra de coco em todo os seus contornos externos. </p><p></p><p>Cada um dos barcos recebeu 3 escoras de eucalipto de dimensões 12-10cm (espessura) e comprimento variável entre 270 a 470cm do chão.  Para a fixação das escoras, cavou-se furos no solo da praia, (entre 80 a 100cm de profundidade por 13cm de diâmetro), de forma que ao serem fixadas no chão, cada uma das escoras fossem autoportantes, sustentando-se em equilíbrio com o peso dos barcos, a despeito da movimentação das areias e da tábua de marés.  </p><p>A escolha das praias de Sabiaguaba e Abreulândia deu-se em razão do contexto especulativo presentes no território, contextualizado pelo mercado imobiliário e do turismo predatório, que tem assolado a biodiversidade do mangue do cocó, das áreas de restinga e das dunas, transformado a economia local com o apagamento da memória do lugar e do re-conhecimento ancestral da pesca. </p><p></p><p>Especialmente na praia de Abreulândia, onde ainda é possível presenciar pessoas trabalhadoras do mar, ocupando seus ofícios de pesca artesanal em jangadas a vela, no entanto, esse processo vem se dirimindo em função das empresas que se instalam no local, como a da construção civil que desaloja famílias locais e constroem em larga escala resorts, condomínios fechados e hotéis. </p><p></p><p>Sem contar o impacto do turismo predatório nas Áreas de Proteção Ambiental (APAS)  de mangues e dunas que empregam mão-de-obra à baixo custo, retirando trabalhadores do mar de seus ofícios de origem, para ocuparem funções subvalorizadas. Práticas que têm impactado as comunidades de pescadores que começam a não ver mais vantagens no trabalho no mar (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Moreira e Santos, 2024</xref>). </p><p></p><fig id="F1">  <label></label>  <caption>    <title>Figure 1</title>    <p>Perspectivada da instalação dos barcos para o 5ª. Arte Praia – poéticas efêmeras, 2023. Imagem: autor</p>  </caption>  <graphic xlink:href="https://journals.wisethorough.com/public/journals/2/articles/1036/Fig1.jpg"/></fig><fig id="F2">  <label></label>  <caption>    <title>Figure 2</title>    <p>Imagem da pista central que dá acesso à Praia de Sabiaguaba. À esquerda avista-se o mangue e à direita, a barra do rio Cocó, situada na APA de dunas da praia de Abreulândia com vegetação de restinga.  2023. Imagem: autor.</p>  </caption>  <graphic xlink:href="https://journals.wisethorough.com/public/journals/2/articles/1036/Fig2.jpg"/></fig><fig id="F3">  <label></label>  <caption>    <title>Figure 3</title>    <p>Croqui de Jangada à vela tradicional de pesca em alto-mar no litoral Cearense. Imagem: do autor</p>  </caption>  <graphic xlink:href="https://journals.wisethorough.com/public/journals/2/articles/1036/Fig3.jpg"/></fig><fig id="F4">  <label></label>  <caption>    <title>Figure 4</title>    <p>Barreamento da obra Navegantes em Sabiaguaba - Fortaleza.  Imagem: Joel Martins</p>  </caption>  <graphic xlink:href="https://journals.wisethorough.com/public/journals/2/articles/1036/Fig4.jpg"/></fig><fig id="F5">  <label></label>  <caption>    <title>Figure 5</title>    <p>Navegantes suspensos por palafitas em Sabiaguaba - Fortaleza.  Imagem: Joel Martins</p>  </caption>  <graphic xlink:href="https://journals.wisethorough.com/public/journals/2/articles/1036/Fig5.jpg"/></fig><fig id="F6">  <label></label>  <caption>    <title>Figure 6</title>    <p>e 7 Mapa de Implantação de Parques Eólicos Offshore no território brasileiro, a serem instaladas nas áreas em vermelho e laranja, por terem maior potencial de ventos e geração de energia eólica.</p>  </caption>  <graphic xlink:href="https://journals.wisethorough.com/public/journals/2/articles/1036/Fig6.jpg"/></fig><fig id="F7">  <label></label>  <caption>    <title>Figure 7</title>    <p>Perspectivada da instalação dos barcos para o 5ª. Arte Praia – poéticas efêmeras, 2023. Imagem: autor</p>  </caption>  <graphic xlink:href="https://journals.wisethorough.com/public/journals/2/articles/1036/Fig7.jpg"/></fig><fig id="F8">  <label></label>  <caption>    <title>Figure 8</title>    <p>Escultura NAVEGANTES (2023) na praia de Sabiaguaba – Fortaleza-Ce. Imagens – Joel Martins</p>  </caption>  <graphic xlink:href="https://journals.wisethorough.com/public/journals/2/articles/1036/Fig8.jpg"/></fig><fig id="F9">  <label></label>  <caption>    <title>Figure 9</title>    <p>Escultura NAVEGANTES (2023) na praia de Sabiaguaba – Fortaleza-Ce. Imagens – Joel Martins</p>  </caption>  <graphic xlink:href="https://journals.wisethorough.com/public/journals/2/articles/1036/Fig9.jpg"/></fig><sec><title>Navegar com os olhos</title><p>Imaginar formas possíveis de habitar o mundo que nos cerca, velejar com os desejos e ir até onde a visão conseguir alcançar, construir barcos de pau-a-pique, como casas de terra e ar, suspendê-las em estruturas de palafitas como tentativa de alcançar o céu e beber o horizonte. </p><p></p><p>Barcos como ninhos de aves de arribação, erguidos em troncos de árvores, abrigos sensíveis que estabelecem entre si, um ajuntamento de pequenas paisagens suspensas e migratórias, alternando entre espaço perceptivo do corpo e o debruçar das sombras que espalham suas silhuetas nas areias da praia, oferecendo proteção.</p><p></p><p>Imaginar um lugar de repouso ou um destino inatingível, desnudando nesse aventurar-se, a memória dum passado recente desejoso de existir no agora instante, no presente hoje, memorado na materialidade da ancestralidade das casas de barro, presentes nas comunidades caiçaras do Ceará.  </p><p></p><p>Travessia árdua que se dá na experiência de afetação coletiva em relação ao espaço natural, cujas poéticas críticas engendram, quiçá, as novas atitudes e consciências, alinhadas às percepções sensíveis da realidade vivida pelas comunidades de pescadores, desestabilizando a cegueira social, descortinada pela arte como olhos do mundo, por meio da expansão sensível do corpo e de seus atravessamentos com a vida.</p><p></p><p>Assim como os espíritos e os corpos desses trabalhadores do mar constroem suas jangadas como extensões de suas casas, a obra Navegantes esmera-se nas inquietações das formas possíveis de habitarmos o mundo que nos cerca. </p><p></p><p>A obra, portanto, engendra um diálogo profícuo com a paisagem, a natureza e as pessoas do território da Sabiaguaba e da Abreulândia.  Ao serem instaladas à beira mar, os três barcos de pau-a-pique, suspensos do chão por palafitas, fricciona a própria essência de morar e de navegar, como forma de provocar a visibilidade da realidade nos territórios, em especial as suas histórias, afetos e memórias. </p><p></p><p>De forma que pela arte, a construção da obra em conjunto com os pescadores locais, fosse posta como extensões das pessoas trabalhadoras do mar e de suas travessias para a escuta do território, buscando gestar nesse processo uma rica troca, com conhecimentos e reflexões pela consciência do estar/ser nesse território de luz. </p><p></p><p>Uma vez que a obra instalada toma como referência as casas de palafitas presentes na Sabiaguaba, (em especial na barra do rio Cocó) compreendendo o barco como um abrigo que se navega com os olhos e com a alma da comunidade local. </p><p>A referência de Navegantes remete as vilas locais de pescadores, construídas no passado com terra, esterco, troncos, fibras de carnaúba, galhos de marmelos e mororós – esta última, o galho de mororó, conhecida pela sua especificidade de envergar, mas, não quebrar nunca.  Resiliência que parece refletir as comunidades ancestrais de pessoas negras e caiçaras, de não desistirem, apesar das lutas e dificuldades diárias. </p><p></p><p>Lutas que se reinauguram com o tempo, se sofisticam nas formas de habitar/ocupar o espaço urbano e a natureza, pondo em xeque o território das comunidades de pescadores ao delimitá-los como periferia.</p><p></p><p>Cuja escala no jogo da vida, de forma voraz e sofisticadamente predatória,  transformam a natureza e os territórios em commodity pelo captoloceno (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Donna Haraway, 2012</xref>) Impactando de forma significativa as comunidades tradicionais, a biodiversidade marinha e de restinga do litoral, no caso aqui posto, argumentado e justificado pela corrida energética de produção do hidrogênio verde, que através de parques eólicos offshore (na costa), dentro das zonas descritas como Amazônia azul, especificamente nas áreas costeiras do Ceará, Espirito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Conforme imagem abaixo, o estudo de potencial energético da costa brasileira. </p><p></p><p>Os investimentos em parques eólicos financiados, tem como um dos objetivos a redução das emissões de carbono desses países ditos desenvolvidos, ao transferirem as responsabilidades de suas emissões aos países emergentes, caracterizando-se como sendo um Colonialismo Energético (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Josefa Contreras e Alberto Ruiz, 2023</xref>), uma vez  que os países ricos com fins de alcançar suas metas, veem os territórios naturais dos países pobres ou subdesenvolvidos,  como zonas de sacrifício (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Steve Lerner, 2012</xref>) na sua obra Sacrifice Zones: The Front Lines of Toxic Chemical Exposure in the United States, Lerner observa a superposição de instalações de empreendimentos que são responsáveis por danos e riscos ambientais.  </p><p></p><p></p><p></p><p>A exemplo dessas zonas,  os parques eólicos onshore (em terra), espalhados nas dunas e áreas de restingas ao longo do litoral cearense, tendem a serem implantadas  em áreas de moradia de populações de baixa renda, onde o valor da terra é mais baixo e onde o acesso dos moradores aos processos legais e judiciais são menores ou inexistentes. </p><p></p><p>O que pode significar pela perspectiva da justiça ambiental e da ecologia política, que as zonas de sacrifícios podem ser compreendidas como territórios que concentram riscos ambientais sobre populações vulnerabilizadas em favor dos países ricos, que poderão comprar créditos de carbono ou firmar acordos diretamente com os países emergentes, já que nestes países a legislação é frágil e permissivamente favorável aos países que exploram os bens naturais, sem qualquer sanção ou responsabilidade com esses territórios explorados. </p><p></p></sec><sec><title>Navegar com esperança </title><p>No interior dos barcos, vazio e silêncio</p><p>Sobre os grãos de areia lavada de mar </p><p>O movimento como quem dança com as águas</p><p> </p><p></p><p>Navegantes, barcos de terra, madeira e solidão. </p><p>que conclamam no sagrado </p><p>o desvelar das tentativas de apagar os corpos</p><p>pelo racismo ambiental e a colonização energética. </p><p></p><p>Navegar para decolonizar </p><p>Pensamentos e corpos </p><p>Construindo um barco-casa com janelas e portas desnudas </p><p></p><p>Revelando no diatópico mundo </p><p>as hostilidades impregnadas de desumanidade. </p><p>Cujas faturas sombreiam terra e mar </p><p>Ensurdecendo os porões da alma </p><p></p><p>Para trazer consigo os olhos do mundo </p><p>E a invisibilidade que o mundo esqueceu de ver/sentir</p><p>E que  quotidianamente faz-se presente </p><p></p><p>Na justeza das imaterialidades </p><p>Nas relações ontológicas de humanos e não-humanos</p><p>E entre corpos, arquiteturas e paisagens.</p><p></p><p></p></sec></body><back><ref-list>  <ref id="B1">    <label>1</label>    <mixed-citation publication-type="journal">CONTRERAS Josefa, RUIZ Alberto. Colonialismo energético: Territórios de sacrifício para la transición energética corporativa en España, México, Noruega y el Sáhara Occidental. . Icaria, Espanha, 2023</mixed-citation>    <element-citation publication-type="journal">      <person-group person-group-type="author">        <name>          <surname>CONTRERAS</surname>          <given-names>Josefa</given-names>        </name>        <name>          <surname>RUIZ</surname>          <given-names>Alberto</given-names>        </name>      </person-group>      <article-title>Colonialismo energético: Territórios de sacrifício para la transición energética corporativa en España, México, Noruega y el Sáhara Occidental. </article-title>      <source>Icaria, Espanha</source>      <year iso-8601-date="2023">2023</year>      <volume></volume>      <fpage></fpage>    </element-citation>  </ref>  <ref id="B2">    <label>2</label>    <mixed-citation publication-type="journal">HARAWAY Donna. Antropoceno, Capitaloceno, Plantationoceno, Chthuluceno: fazendo parentes.. Artigo ClimaCom Cultura Científica - pesquisa, jornalismo e arte Ι Ano 3 - N. 5, 2016</mixed-citation>    <element-citation publication-type="journal">      <person-group person-group-type="author">        <name>          <surname>HARAWAY</surname>          <given-names>Donna</given-names>        </name>      </person-group>      <article-title>Antropoceno, Capitaloceno, Plantationoceno, Chthuluceno: fazendo parentes.</article-title>      <source>Artigo ClimaCom Cultura Científica - pesquisa, jornalismo e arte Ι Ano 3 - N. 5</source>      <year iso-8601-date="2016">2016</year>      <volume></volume>      <fpage></fpage>    </element-citation>  </ref>  <ref id="B3">    <label>3</label>    <mixed-citation publication-type="journal">LERNER Steve. Sacrifice Zones, 2012.. Vide in: https://direct.mit.edu/books/book/3300/Sacrifice-ZonesThe-Front-Lines-of-Toxic-Chemical, 2024</mixed-citation>    <element-citation publication-type="journal">      <person-group person-group-type="author">        <name>          <surname>LERNER</surname>          <given-names>Steve</given-names>        </name>      </person-group>      <article-title>Sacrifice Zones, 2012.</article-title>      <source>Vide in: https://direct.mit.edu/books/book/3300/Sacrifice-ZonesThe-Front-Lines-of-Toxic-Chemical</source>      <year iso-8601-date="2024">2024</year>      <volume></volume>      <fpage></fpage>    </element-citation>  </ref></ref-list></back></article>