Desenho e experiência do utilizador no desenho do espaço público
DOI:
https://doi.org/10.48619/cap.v7i1.A1294Resumo
Este artigo reflete a investigação sobre como o desenho pode ser usado para incluir a experiência do utilizador do espaço urbano nas profissões de planeamento baseadas no desenho, tais como design ou arquitetura. A participação dos utilizadores na configuração do espaço público é aqui interpretada como um catalisador para a mudança social. A ênfase da investigação é feita em “como o desenho pode ser usado para incluir a experiência do utilizador”.
Esta investigação é feita no contexto de uma interpretação empírica e especulativa de uma realidade baseada em factos: imagine-se que os contribuintes suportam o orçamento do contínuo processo de limpeza da cidade, destinado a apagar sinais de uso, graffiti ou objetos fora do lugar (considerados lixo). Nota a fazer, que estas operações são paralelas, não nucleares, aos serviços convencionais de recolha de resíduos e outros descartes.
Imagine-se que parte deste orçamento é usada para “processos de mediação”, nomeadamente com algumas das pessoas que afirmam intervir ilegalmente na cidade. Programas como “camiões de arte”, “city canvas” ou outras iniciativas de “legalização”. Iniciativas com boa intenção, aparentemente na direção correta, mas que ao mesmo tempo induzem em erro, criando a ilusão (ou realidade em alguns casos) de um mercado de arte em torno de sinais de necessidade humana que têm de ser abordados noutro lugar (melhores empregos, educação, habitação e cuidados de saúde).
Imagine-se que, para estes detentores do orçamento, “arte na cidade” só ocorre quando é sancionada, sem consciência do oxímoro: o que é ilegal não pode ser sancionado, ou se é sancionado não é ilegal.
Agora imagine-se que a arte ready made é uma realidade, que a arte é tudo, que a vida é arte, que a cidade pode ser um parque de diversões e que os nossos arquitetos e designers estão à altura da tarefa de incluir todos no processo de desenho e manutenção dos nossos espaços públicos.
Neste contexto específico, ao perguntar como o desenho pode ser usado para incluir a experiência do utilizador, encontramos uma viagem caleidoscópica cronológica e geográfica através de ferramentas para incluir utilizadores no desenho e manutenção de espaços públicos. Em particular, a maturidade da experiência digital do utilizador e o uso amplo, aliados a abordagens de design sistémico, estão a criar condições de melhor inclusão das necessidades do utilizador como boas práticas.
Espera-se que este artigo ajude nas melhores utilizações do orçamento dos “processos de mediação” e em como envolver melhor os utilizadores na conceção sustentável e manutenção dos espaços públicos.