As Ações no Projeto CORES NO DIQUE
DOI:
https://doi.org/10.48619/cap.v7i1.A1297Palavras-chave:
Arte, Territorio, Arte política, Intervenção UrbanaResumo
Dique, o que me leva ao mar através do caminho tortuoso da violência, da crueza, do odor podre da lama. Faz de uma ponte-trapiche (aos pedaços) meu único e melhor destino. Andar equilibrando o medo e o impulso, a coragem e o desconhecido. Chegar pelo que há de menos, no carinho de andar pela amizade e aconchego. O Dique da Vila Gilda, junto com Dona Helena, seu Manoel, Odisséia, Albertina, Cabelinho, Petrúcio, Sandro e Sueli, Valdete, Edson e tantos outros, me trouxe de volta ao mar da infância, à dor do nascimento, à descoberta solitária da infância.
Estar ao lado do cais, ao lado do Mangue, no nascedouro poluído da vida, olhando casas-barcos parcamente equilibrados em seus pés de madeira sob o lodo.
O Projeto Cores no Dique é uma intervenção urbana de caráter público/compartilhado e constitui-se numa pintura espacial de grande dimensão em constante expansão e desenvolvimento; esse trabalho foi realizado em palafitas do bairro Vila Gilda na cidade de Santos/SP e começou em 2009 através de uma residência artística, fruto do prêmio Interações Estéticas. No projeto, toda ação que envolvia a impermeabilização e pintura dos madeirites era realizada coletivamente, desde a escolha das cores à composição e construção nas casas/palafitas do Dique da Vila Gilda. Esse procedimento permitia uma ampla discussão, pois todos os participantes se reuniam em um barracão cedido pela COHAB (Companhia de habitação de Santos) para trabalhar, acabando por debater diversas questões, como as condições de moradia, esgoto, planos de retirada, esgoto e meio ambiente, extrapolando as questões estéticas.