Hermosa Mariposa

Autores/as

  • Fernando Freitas Fuão Facultad de Arquitectura y Urbanismo, Universidad Federal de Rio Grande do Sul.

DOI:

https://doi.org/10.48619/cap.v7i2.A1302

Resumen

Antes da chegada dos colonizadores europeus, as fronteiras entre povos e grupos étnicos eram tênues. Uma sucessão de demarcações territoriais ocorreu desde a chegada deles à custa da vida de milhares de povos indígenas. A cada nova linha de fronteira traçada, mais mecanismos de controle e separação eram impostos. Muitos povos foram divididos entre um país e outro, e até mesmo dentro do mesmo país. Esses povos indígenas conseguiram sobreviver e resistir até hoje, com parentes de ambos os lados que continuam a circular por essas fronteiras. Trouxeram suas patéticas bandeiras cheias de sangue e foram até os confins da terra, para a Patagônia. É preciso entender que os  únicos limites que encontramos na natureza são os limites absurdos impostos pelo homem, com suas cercas, muros, leis e regras; suas propriedades que isolaram nossas vidas do único sentido da natureza. Mas mesmo entre uma fronteira e outra, ou mesmo dentro do muro, sempre haverá um último espaço vazio, uma fratura que sempre revelará a falsidade dos contornos e dos conceitos. São esses falsos contornos da representação do poder que devem ser constantemente revisados; as representações dos mapas. Todos falsos fins e começos. Poder é, acima de tudo, representação. A representação do novo imaginário deve começar com um trabalho de apagamento para recuperar o “buen vivir”. Foi isso que esses mapas fazem desde a nossa mais tenra infância: quando os olhávamos, copiávamos e memorizávamos mentalmente, delineando cada país acabamos inconscientemente reforçando esses obstáculos físicos. Eles suprimiram a continuidade da vida, do mundo, segmentaram em fragmentos políticos e bíblicos; evocaram seus heróis brancos e territórios, traçaram lugares, pregaram cruzes; e, ao mesmo tempo, nos cegaram de toda possibilidade de perceber o espetáculo da continuidade da natureza. A América Latina e Caribe, enquanto analogia formal à uma mariposa, simboliza o espírito da metamorfose, da transformação, da polimerização, da fecundação ao mundo.

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Publicado

2025-12-30

Cómo citar

Fuão, F. F. (2025). Hermosa Mariposa. CAP - Cadernos De Arte Pública Public Art Journal, 7(2), 134–141. https://doi.org/10.48619/cap.v7i2.A1302