Entre mundos
videoperformance, subjetivação, relações interespecíficas e ecologia na criação de heterotopias
DOI:
https://doi.org/10.48619/cap.v7i2.A1268Keywords:
desconhecido, heterotopia, sítio funcional, relações interespecíficas, cartografia, pensamento tentacularAbstract
Este artigo apresenta o percurso teórico e prático, bem como as discussões decorrentes da criação de três obras de videoarte. EntreMundos, desenvolvida entre 2022 e 2023, cujo título designa um "lugar entre", orienta reflexões sobre os cruzamentos e contaminações entre mundos, subjetividades e relações interespecíficas. Esse conceito norteia as videoperformances Samsara (2022) e Nox Lumine (2025), que também se estruturam em torno de múltiplos espaços interconectados entre o físico e o digital. O espaço específico, entendido como um local funcional (Meyer, 2000), articulado com cartografias (Rolnik, 2016) e pensamento tentacular (Haraway, 2023), constitui uma metodologia artística para a exploração interespecífica, deslocamentos e metáforas de lugar. O corpo performativo atravessa territórios físicos e subjetivos na criação de uma heterotopia (Foucault, 2013) entre o real e o utópico, onde o conceito do estranho (Freud, 2020) emerge como um campo de tensão dentro do reino do desconhecido e da subjetividade individual. Em ambientes computacionais, o imaginário se afirma como um poder alegórico, intensificado pela animação, modelagem digital e design de som na videoarte, que confere densidade estética e conceitual às obras por meio de um espaço híbrido entre o humano e o não humano. As três obras de videoarte articulam corpo, natureza e técnica em fabulações que evocam o pântano como um bioma pessoal, e abordam o encontro com outros seres como uma metáfora para a sobrevivência.