O que aparece quando Munch, Duchamp e o Samba de Antonieta se encontram?
Corpografias, dissenso e política do sensível entre arte e cidade
DOI:
https://doi.org/10.48619/cap.v8i1.A1307Palavras-chave:
corpografia, dissenso, corpo, cidade, sensívelResumo
Este ensaio articula corpo, cidade e política do sensível a partir da Frise de la vie (c. 1890–1910), de Edvard Munch, de Étant donnés (1946–1966), de Marcel Duchamp, e de práticas urbanas contemporâneas situadas no Centro Leste de Florianópolis, com destaque para o Samba de Antonieta. A partir de uma perspectiva fenomenológica, o texto propõe compreender essas experiências como corpografias — inscrições sensíveis do corpo no espaço — que produzem modos específicos de subjetivação. Em diálogo com Maurice Merleau-Ponty, Georges Didi-Huberman e Jacques Rancière, o ensaio aborda a imagem e o gesto urbano como campos de dissenso e sobrevivência, nos quais o corpo aparece não como representação, mas como presença vulnerável e insistente. Entre o grito, a fresta e o canto, sustenta-se que a experiência estética e urbana constitui um campo político fundamental, capaz de tensionar os regimes de visibilidade e de reinscrever a possibilidade do comum no espaço contemporâneo.